Você vive ouvindo por aí que, para ser feliz e bem-sucedida, é preciso deixar os sentimentos de lado e agir com a razão. Brigou com o namorado? Ouve: “Ele não merece o seu amor; a fila anda!” No trabalho, é a mesma coisa: “Para competir no mercado, você tem de se comportar como os homens”... Mas será que endurecer o coração e mandar embora a leveza pode ajudá-la a conquistar mais alegria e paz — ou justamente o contrário?
Para começar, é preciso entender por que homens e mulheres se comportam de maneiras distintas quando o assunto é sensibilidade. “Ao contrário do que se costuma imaginar, a diferença biológica entre os dois sexos ao nascer não é o fator determinante. O que mais conta no quesito emoção são as influências culturais e sociais. “Por causa delas, a mulher tem seu papel associado ao da mãe que transmite conforto e afeto aos filhos. E isso, claro, permite desenvolver mais livremente o lado emocional”, diz o psiquiatra paulistano Alexandre Loch. Eles, por sua vez, ganharam da sociedade a tarefa de competir no mundo externo para proteger a família, sem se deixar levar pelos apelos do coração.
Estaria tudo muito bem se a evolução não tivesse embaralhado as cartas e misturado os papéis. Estamos lá fora, no mesmo território competitivo dos homens, e precisamos batalhar para não perder o espaço. Isso confunde a nossa cabeça. Achamos que, para sermos boas profissionais, por exemplo, devemos agir como o sexo oposto. Mas quem agüenta viver em um ambiente estressante e competitivo o tempo todo? “É preciso que as pessoas se sintam respeitadas em suas emoções e não se transformem em máquinas. A sensibilidade feminina deve começar a ser valorizada e encarada como estratégia”, ensina Sâmia Simurro, mestre em psicologia.


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